Damon McMahon, que artisticamente nos surge como Amen Dunes, é um daqueles casos peculiares que singrou porque a depuração pela canção venceu. Vence sempre, no seu caso. Poder-se-á especular, e bem, até que ponto o seu passado de experimentador sonoro solitário veio incutir uma sensibilidade muito própria à sua assinatura composicional. O universo de Amen Dunes sempre compactuou, com peso e medida, entre a embriaguez do ruído e a devoção aos céus. Essa existência siamesa de gestão harmoniosa, rumo à categoria de beleza sagrada, parece assumir-se como propósito maior. As suas composições facilmente se poderiam adaptar a uma dimensão orquestral. Porém, a sua natureza é outra, reduzindo ao máximo os elementos à disposição, extraindo a essência anímica que interessa. Definitivamente devocional, seduz pela discrição e cativa pela transparência. A abrir para Amen Dunes, atua Xander Duell, irmão de Damon McMahon, também ele músico e compositor. Afinal o talento é genético.