Numa altura em que os concertos passam cada vez mais por uma noção de espetáculo algo circense do que pela partilha da música, Algodão propõe-nos atuações onde a proximidade do público e a cumplicidade que daí advém são altamente privilegiadas. Aqui não há espaço para muita distração. Há a entrega de um trio de músicos com Carlos Nobre (o aparentemente eterno “Pacman dos Da Weasel”) à cabeça, de alma e entranhas viradas do avesso. Olhos nos olhos. Há poesia elevada e prosa de sarjeta. Há o contar de histórias não só dentro das canções como nos espaços entre as mesmas. Há a simplicidade clássica da voz acompanhada pela viola acústica e o piano, mas também a elaborada programação eletrónica, sintetizadores agressivos e guitarras sujas. Com dois discos na bagagem, Carlos Nobre, Gil Pulido e Nelson Correia prometem um concerto particularmente intenso no Café Concerto do CCVF.